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Vá o MoMA - Léon Ferrari e Mira Schendel

A Revista Circuitos tem uma dica excelente para quem não vai visitar Nova Iorque nos próximos meses: vá ao MoMA.

Criado em 1929, com apoio da família Rockfeller, vale lembrar a enorme influência desse museu, o primeiro de arte moderna que serviu de modelo para criação de inúmeros outros no mundo ocidental.  Após a Segunda Guerra, o eixo mundial dos acontecimentos em arte se desloca para Nova Iorque — muito da arte passa obrigatoriamente por essa cidade. Daí a nossa insistência na visita, caro leitor. Visite o MoMA.

É claro — existe uma narrativa oficial e hegemônica determinando a história da arte, construída a partir de uma política de aquisições, publicações e exibições do MoMA, o que foi observado pela crítica Carol Duncan. Outros ainda apontam o fato do MoMA ter apoiado o maniqueísmo do mundo gerado pela Guerra Fria sem titubear. É verdade. Mas convenhamos — nada disso é razão para se deixar de visitar o MoMA . Do conforto de nossas cadeiras, ou talvez de nossos pijamas. Porque, além de batata-frita, blues e filmes hollywoodianos de patriotismo patético, tem outra coisa que os americanos mostraram fazem muito bem: sites de museus. Confira o do MoMA, parte de suas coleções e exibições pode ser explorada online.

Se nada disso convence, me resta um último argumento. Até 15 de junho deste ano, o MoMA expõe obras de dois artistas latino-americanos: Léon Ferrari e Mira Schendel.

O artista argentino Léon Ferrari é autor daquela que, segundo alguns críticos, seria a primeira obra de arte conceitual na América Latina. Mira nasceu na Suíça, radicando-se no Brasil após a Segunda Guerra e apresentando uma produção essencial dentro do panorama artístico latino-americano. Ambos viveram no Brasil e trabalharam a palavra dentro das artes visuais. Os artistas têm seus trabalhos confrontados na exposição Tangled Alphabets ou Alfabetos Entrelaçados.

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No site do MoMA criado para exposição, é possível visualizar alguns de seus pares de trabalhos selecionados.  Um trabalho de Léon Ferrari é sempre exibido ao lado de outro de Mira Schendel, acompanhados dos comentários em inglês sobre as respectivas obras. Outro ponto bastante interessante é a possibilidade de ampliá-las com excelente resolução de imagem (clicando sobre elas), além de poder utilizar o cursor do mouse como uma espécie de lupa virtual.

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Mesmo que seu inglês não seja, digamos, essa coke toda, restam as imagens — que literalmente valem por muitas palavras. E além das imagens, há o áudio comentado em Português de algumas das obras de Mira e Léon, parte da seção multimídia do museu.

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Diante de uma retrospectiva desse tipo, dedicada a dois nomes fundamentais da arte latino-americana no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, restam alguns questionamentos. O quanto nós, brasileiros, e soteropolitanos, conhecemos sobre os artistas da América Latina, o quanto há de produção científica em língua portuguesa a esse respeito (à exceção dos modernistas, por exemplo), o quanto se investe em nossos museus, quantas dessas obras conhecemos e quantas delas ainda restam num país que não se preocupa verdadeiramente em proteger seu patrimônio cultural.

Boa visita.

por Marília Palmeira

Seção: Em Circuito

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